Felicidade etc

•janeiro 22, 2010 • 1 Comentário

Escrever já não me ajuda tanto quanto antes, só me faz sentir mais cada sentimento vago e sufocador dentro de mim. Como diria Clarice Lispector, “escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível“. Já tentei muitas vezes mas no fim, continuo na mesma.
Afinal quantas malditas vezes eu escrevi que estou cansada? é, eu continuo cansada e nada mudou. Não sei explicar o porquê, muito menos entender.
De tempo em tempo eu começo chorar, por tudo e por nada ao mesmo tempo, simples assim e quando realmente quero que saiam as lágrimas elas simplesmente não vem.
Não consigo me lembrar de alguma época na qual eu tenha sido feliz, essa lembrança simplesmente não existe na minha mente pra me confortar. Eu só sou o que sou agora, e sempre foi assim. Eu não sei demonstrar felicidade, eu não sei ser simpatica. Eu não sei e não pretendo aprender, se é isso que precisa pra ser feliz. Penso que não.
Então, quando eu tento ver o motivo de tanta exaustão, vejo que é pelo simples fato de existir. De acordar e dormir, comer e tomar banho, de me forçar a sorrir, e também a chorar, de ver o quanto as pessoas também sofrem e mesmo assim minha dor não diminuir ou aumentar, e de ver também quantas pessoas conseguem ser felizes e confesso que adoraria saber como, no meio dessa vida tão dificil. Tão sem vontades, tão sem ambições, apenas existindo porque alguém lhe colocou ali, alguém lhe deu a vida. Não adianta ninguém dizer “eu entendo“. A minha verdade é e sempre será um contato interior e inexplicável, um sentimento tão frio quanto minhas palavras, uma dor tão calada quanto o meu choro que cansei de esconder. E como tantas outras vezes, além de cansada também não sei terminar o post, então termino com outra citação de Clarice Lispector: “A minha vida a mais verdadeira é irreconhecível, extremamente interior e não tem uma só palavra que a signifique. Meu coração se esvaziou de todo desejo e reduz-se ao próprio último ou primeiro pulsar. Eu canto alto agudo uma melodia sincopada e estridente, é a minha própria dor, eu que carrego o mundo e há falta de felicidade. Felicidade?

enlouquecer.

•dezembro 18, 2009 • 2 Comentários

Talvez eu esteja enlouquecendo aos poucos, a cada vez que ouço coisas que já sei, a cada vez que eu explodo e falo coisas que não deveria falar, toda vez que sinto que não posso mais voltar atrás. Cada coisa que eu poderia estar fazendo, aproveitando. Cada rancor e mágoa que eu guardo comigo.
Não sei onde dói, mas sei que dói. Toda vez que penso no dia em que realmente vou querer voltar atrás. Todos os dias. Sei que causo dor em quem eu não gostaria, e isso dói em mim mais do que qualquer coisa. A dor não é muito relativa, só basta ser triste, que dói. É vazio, é cortante. É como sentir alguém pisasse no seu coração. É como se não restasse nada no seu corpo, e mesmo do nada surgisse ferimentos, algo que não cessa, que não tem fim.
Estou tão cansada. Risadas vazias, felicidade momentânea. Lágrimas cheias, tristeza interrupta.